Ola Rik,
Me sinto muito diferente, diferente como não me sinto a uns 20 anos!!!! Sinto que a Artista Impossível esta fazendo um trabalho interessantíssimo. (mesmo que poucos saibam!!)
Fiz uma viagem extremamente importante para Rondonia como Transcomunicadora. Viajei com um professor de comunicação da American University em Washington, que esta fazendo uma pesquisa sobre o uso das Geo –Tecnologias em Rondônia e como estas irão impactar nos pobres. Nos afetamos mutuamente durante a viagem. Aprendi muito sobre a situação dos Índios Isolados do Brasil, sobre as mineradoras da região, sobre a situação da Reserva Roosevelt, onde as disputas pelos recursos do subsolo são muito acirradas e envolvem interesses locais, nacionais e internacionais. Aprendi sobre os vários massacres que ocorreram na região – Massacre do Paralelo 11 (1963), Massacre de Corumbiara (1995) e Conflito entre os Cinta larga e Garimpeiros. Durante a viagem visitando garimpos, Empresas de Mineração, ONGs de Proteção aos Índigenas escrevi mentalmente muitas outras cartas para a Adriana Varejão, tentando fazê-la entender o quanto era importante resistir, não promover a imagem da Fundação Cartier, por todo o rastro de morte e violência que os diamantes e o ouro deixam atrás de si. Entrei em contato com pessoas e grupos que foram cobrindo fendas do meu conhecimento sobre a situação desse país.
E essa semana o processo da Transcomunicadora chegou a um ponto muito expressivo. Traduzi uma conversa com o Evo Morales, um dos candidatos à presidência da Bolívia. Evo é um indígena Aimará que chegou a liderança política pelo apoio dos indígenas, aposentados, mineradores - enfim, os esquecidos, os que não existem. Sempre aprendi muito com as análises que ele faz sobre a situação da América Latina. Então quando a Artista Impossível foi chamada para traduzir uma conversa dele foi muito, muito importante. Sinto que esse trabalho chegou a um ponto sem volta onde eu me adaptei completamente as necessidades dos que necessitam. Que era a minha idéia original. Agora volto a repensar tudo isso, e me pergunto como posso comunicar esse processo artístico, que se distancia mais e mais dos canais disponíveis para uma artista. Como posso continuar "expondo" esse processo. O blog parece não ser suficiente...O blog é um pouco como a s minhas performances iniciais - esta lá na Internet e de tempos em tempos alguém ao entrar algumas palavras chaves encontra esse trabalho conceitual, por puro acaso na maioria das vezes.
Tenho que encontrar um caminho que possa fielmente revelar um novo jeito de se ser artista, sem usar o outro como ponte. Não sei como posso fazer isso. Mas sei que cedo ou tarde vou encontrar um jeito. Esse trabalho não é sobre as pessoas para as quais eu sou uma boca e um ouvido. Esse trabalho é sobre o processo de busca de um outro jeito de se fazer arte em um mundo dominado pela apropriação da vida por interesses que acabam gerando a extinção dessa vida.

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