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14/01/2005

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Cara Ana Amorin,
Se a arte popular é a arte dos pobres, como é, a arte contemporânea é , não exatamente a dos ricos, mas para os ricos.Gosto da sua energia, sua independência, embora ache que dê muita importância ( ainda que necessária) aos galeristas,curadores, críticos e etc...,ou seja,à entourage que vive saprofitamente da arte e da cultura e que é hoje uma grande formadora de equívocos. Realmente, hoje, os centros culturais são os grandes exploradores dos artistas, desses que atolados no sistema buscam currículos quantitativos, promoção, divulgação, etc...ou seja, estas balelas que tiram o artista do bom caminho, o da independência. A Independência é a única possiblidade de uma arte, viva, aparecer.
Como antigamente se achava que a virtude estava com os pobres, hoje se acha, erroneamente, é claro, que o conceito é atributo da arte contemporânea. Ledo engano.A arte tem a graça de pular por cima dos conceitos, seja a dos pobres ou a para os ricos. A arte, na verdade, não tem conceito.Para existir só precisa que tenha vida.Se tem arte tem vida, se tem vida tem cor. Se não tem, é tinta, não cor. E se for arte visual tem também que ter silêncio, pois é imagem, não música,teatro...Não conheço nada mais e maior que a Natureza do que o silêncio de um bom quadro.
Outro reparo : ou o universo da pessoa desponta neste século,acaba com o individuo, ou estamos muito mal.De modo que assine seus projetos ( que aliás, mesmo não assinados o são)e os mostre nos lugares certos. O melhor é a sua galeria pessoal, ou de um grupo seu afim,ou mesmo divergente, fora dos organismos culturais e das galerias(Atelier não presta, pois marginaliza o artista ou o faz dependente dos granfinos, jornalistas,etc...)
Sobre estes,os órgãos culturais sejam públicos ou privados, penso que deviam ter seus gestores culturais eleitos. Isto, eleitos.Não resolveria tudo, mas já seria um bom começo.Está certo que o Sr. Cohn vai mapear a arte paulista segundo,como ele mesmo disse, pelos seus critérios de galerista. Mas, com que mandato ?
Aproveito, de passagem, para registrar um protesto. Mesmo tendo feito duas exposições individuais no Itaú, no tempo em que o Itaú prestava ( ou eu era inocente)tive meu nome deletado da Enciclopedia de Artes Visuais, porque reclamei que me sentia tungado e parangolado quando clicava no site e entrava sem querer na obra dos preferidinnhos dos gestores daquele conglomerado financeiro.E também porque só aceitava incluir links para galerias físicas. Sorte é que além do Dicionário Aurélio me registrar em sua Bibliografia, e a Enciclopedia da Literatura Brasileira me dar um verbete, meu nome aparece em mais de 3 mil páginas nos sites de busca da web.Senão estava " morto".Ou seja, certa você está, mas um pouco de afastamento deste cenário oficial das artes plásticas ( ou contemporânea) iria lhe fazer mais bem ainda.Arte é avançar até a pessoa do artista.
Um abraço, e obrigado por despertar minhas palavras.
Oscar Araripe
www.oscarararipe.com.br

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Referências